Noite latina-10nov2017

Noite latina

Embaixada das Artes, QL 8. Lago Sul, Brasília-DF.

10 de novembro de 2017

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Um disco de jazz na casa da mata

UM DISCO DE JAZZ NA CASA DA MATA

 

Por Jorge Alves Joia Machado

Brasília, 27 de setembro de 2017.

Bons doces neste Cosme e Damião

(Para o pianista, tecladista e compositor: Farlley Jorge Lourenço Derze.)

Quem chegava ao Estúdio da Casa da Mata, ouvia uma música muito elaborada. Um som jazzístico, no sentido da sua riqueza rítmica e brejeirice que a música norte-americana, sempre nos proporciona. Este som estava presente e a gente sentia logo ao entrar. Ao mesmo tempo, eu sentia que aquele som pretendia me dizer bem mais que os bons improvisos que os músicos ali ofereciam.

Eu relato um acontecimento especial. Sim, especial. Porque eu estava na gravação do álbum: “Metamorphoses” de Farlley Jorge Lourenço Derze; ou, apenas, Farlley Derze. E, ali, eu sentia perfeitamente a fusão da sutileza do som criado nas ruas norte-americanas e mais tarde, também, nas ruas brasileiras e de várias outras partes do mundo, com aquele poder de descrição e composição que se percebe quando o artista é por certo um estudioso, um grande erudito.

Juntas numa só ideia construtiva, popular e erudito formaram um ambiente único. Senti uma atmosfera própria de uma música feita para agradar acima de tudo.

Ao ouvir a obra de Farlley Derze, se faz impossível separar um estilo do outro que ocupava o mesmo frasco. Uma vez que a fusão os tornara coloidal. Então, aquilo que era contado em 2/4, de repente quebrava para um 6/8. Daí se ouvia 9/8, voltando depois para um moderado 4/4 e por aí segue. Aquilo que era nota longa, terminava por se tornar pontilhada, como se para ouvirmos um dó de 8 tempos, precisássemos ouvir todos os harmônicos caminhando até formar o dó maior.

Eu cheguei para curtir o som de um grande amigo. Cheguei para um dia de jazz com a gravação das músicas do meu melhor amigo. A Casa da Mata estava totalmente tomada pela atmosfera criada por sua música. Ali se ouvia o que meu amigo gosta de curtir, de tocar, e que acabou por se tornar parte dele mesmo. A Casa da Mata se apresentara, mais que nunca, um lugar leve e feliz. Como foi bom estar ali presenciando o divino som do seu jazz.

Que surpresa eu tive com seu som. Senti que cresceu a música, com tão elaborados arranjos e tão finos dedilhados de pianos e teclados. Além da guitarra, que foi como pegar um doce surpresa no pacotinho oferecido a São Cosme e São Damião. Mas desse eu falo depois. Haviam outros músicos.

Farlley convidou nomes importantes da música brasiliense para fazer valer a importância de seu trabalho. Os músicos convidados foram escolhidos a dedo e cada um sabia de sua competência e seu valor. Farlley, revestido da presença do maestro que é, regia arranjos intrigantes, desafiadores e fortes. Arranjos que, se o músico não tem bagagem, não tem como se atrever a executar. Mas os músicos que aceitaram o desafio, tinham.

Ouvir a bateria de Sandro Araújo ou João Ricardo Denicol, fazia mexer todo nosso esqueleto e vibrar com encanto nossos corações. Mais tarde, também apareceu, Sandro Souza, mas não tive a oportunidade de constatar sua performance. Certamente este trouxe um toque a mais de energia matuta, este me lembra muito um músico rústico, como antigamente tínhamos na música instrumental brasileira, que antes de tudo era a dança e o balanço de cada corpo vibrando pelos seus tons, caixas e bumbos.

Ouvir Oswaldo Amorim, é outra maravilha. O baixo exige preparo físico, força e dedos delicados. Oswaldo tem todos esses pré-requisitos com a bagagem de quem estudou o instrumento de forma a dissecá-lo por completo. Ouvir Oswaldo Amorim transporta o ouvinte para a frente de uma batalha, onde você tem certeza que está protegido ali, pois este sabe cuidar dos seus. Depois vi Igor Diniz o substituir. Adoro o baixo do Igor e para essa empreitada montada pelo Farlley, ele bem trouxe um frescor e uma inovação. Técnico e pesado, Igor não deixou o grupo esquecer para o que estavam ali e a coisa toda ficou grande.

Tivemos um naipe de metais: Isaac Gomes (saxofones), Argemiro Jr. (trompete) e Paulinho (trombone). O sax soprano do Isaac merece destaque. Que timbre é esse?! Isaac cativa todo mundo. Seu som é muito sensual e muito profundo. Belíssima escolha, Farlley! Argemiro, conduz os golpes de metais de forma segura e ele se preocupa em estar correto, limpo e preciso no ritmo. Ele deu cor, forma e vida aos ataques. Paulinho é um primor. Que profissional, que timbre maravilhoso e acima de tudo, que pessoa linda. Completa a nossa vida, conhecer um homem como Paulinho. Seu som é divino, correto e preciso. Um artista que interfere diretamente naquilo a que se propõe interpretar. Ele causa algo novo a cada momento que precisa repetir uma mesma frase. Se não bastasse a competência, ele, também, entrega para nós o seu carisma, o seu amor e todo o seu cuidado, para que aquele que o está apreciando não se canse, e sim se encante mais e mais com aquela música que ouvimos.

            Farlley Derze se propunha a mostrar no repertório as diversas nuances de sua transformação de estudante de conservatório a universitário, passando pela escola da noite e do palco, até seu momento atual, onde sua carreira é vista como referência para qualquer aspirante a instrumentista. Então, ao escolher os músicos que o acompanhariam, Farlley nos trouxe uma surpresa: Gabriel Oliveira. Um guitarrista maravilhoso, que prova que pouca idade, não quer dizer pouca experiência. Gabriel é delicado, erudito no sentido estudioso da palavra e perfeccionista. Prepare o coração, porque é justamente ele que nos leva para passear nas músicas do compositor Farlley Derze. O compositor deu ao guitarrista o poder de fazer as ligações das histórias criadas por ele. Nosso guitarrista não titubeia. Ele pega o tema e o transforma em seu argumento, como toda boa ideia deve se tornar. Pega a ideia e nos apresenta um outro ângulo da mesma visão. Ele é a personificação da guitarra-arte. Conheço pouco o guitarrista. Além deste dia, o outro lugar que o vi tocar foi no Clube do Choro de Brasília ao lado de nada mais, nada menos que Toninho Horta. Ali ele já chamou sua atenção. O confundi com o guitarrista Pedro Martins, que há pouco ganhara um prêmio em Montreux, mas vou falar uma coisa: Gabriel Oliveira ganharia também. A música de Farlley Derze, foi enriquecida e nos enriqueceu, depois de todas as notas cuidadosas e certeiras de Gabriel Oliveira.

            Quem acredita que se tratou apenas da gravação de um grupo, perdeu aí! Farlley tem uma arma secreta que faz com que este dia de gravação, possa se transformar num evento cultural. Essa arma chama-se Jamile Tormann Derze. Sim a esposa, companheira de tantos anos, que com seu empoderamento construiu o cenário perfeito para que a música não chegasse apenas através do som, mas também pelos demais sentidos que possuímos. Assim, sentimos os cheiros maravilhosos da Casa da Mata, tivemos visões inesquecíveis de detalhes da natureza da mesma casa, e pudemos tocar no compositor, como ele pôde nos tocar. Foi a grande caixa para o som que ouvimos. Parabéns comadre!

Para completar: músico há mais de trinta anos, adorei o que ouvi. Farlley Derze me surpreendeu mais uma vez. Espero, poder ouvir o resultado, ainda com essa pegada sentimental e diria, ainda muito intrigado. Certamente estarei torcendo para que ainda esteja vivendo na pele aquela atmosfera etérea, cativante e contagiante, quanto tudo se metamorfosear em som prensado e digitalizado de um dos grandes músicos de hoje, que se tornou referência do teclado, do piano e por que não dizer: da Música Instrumental Brasiliense.

            Evoé, Farlley Jorge Lourenço Derze.

 

Gravação do CD Metamorphoses, de Farlley Derze

Gravação do CD Metamorphoses, de Farlley Derze

Por Jakceline Spies

Brasília, 23 de setembro de 2017

 

A gravação do CD Metamorphoses, do pianista e compositor Farlley Derze, despertou um clima especial em Brasília, acompanhado de análises musicais interessantes em torno de sua obra. O disco, que será dividido em mais de um volume, carrega mais de 40 anos de composições do músico. Seu primeiro volume, gravado nesse sábado (23/09), é composto por 9 faixas – as quais receberam participações especiais de músicos convidados.

O evento caracterizou-se por seu clima agradável, pois foi como uma reunião de amigos, segundo as palavras dos convidados. Era notável uma certa diversidade nas participações, pois havia músicos experientes e renomados como Oswaldo Amorim – que conheceu o Farlley durante o trabalho que ambos fizeram com cantora Priscila de Ávila – e músicos jovens no cenário musical brasiliense como o guitarrista de 15 anos de idade, Gabriel Oliveira, descoberto por Farlley quando o jovem músico fazia uma participação especial no show do guitarrista Toninho Horta, no Clube do Choro.

Cada um dos músicos convidados contribuiu de maneira brilhante para o álbum. Todos, apesar de ecléticos, possuem um apreço por gêneros musicais como choro, mpb, jazz, baião, além da formação erudita. Alguns dos instrumentistas se diferenciam por gostos que variam entre o blues e o rock nacional, como é o caso do jovem Gabriel. Outros se afeiçoam também por forró, frevo e sertanejo raiz, como o saxofonista Isaac Gomes.

Ao conversar com alguns músicos que participaram do evento, é possível perceber como o compositor cativa a essência de cada música. Oswaldo Amorim – hoje professor de baixo elétrico e acústico na Escola de Música de Brasília – diz que Farlley está sempre preocupado com cada um individualmente encaixado na música. “Ele (Farlley) pensa não apenas no instrumento que precisa para sua composição, mas na pessoa que o toca. Tenta encaixar o estilo do músico em questão na hora de criar suas performances”, diz Amorim. Ele define, ainda, seu estilo pessoal como “Eclético e sem Rótulos” e está sempre disposto a entender novos cenários da música nacional.

Também advinda da escola de música, a musicista Tânia Bernauss estava presente no evento. Ela, por sua vez, define seu estilo na frase “música é identidade” e diz que cada um tem seus trejeitos na hora de tocar. Ela cita Oswaldo como exemplo: “Eu nunca vi ele (Oswaldo) tocar de olho aberto, por exemplo. Ele sempre está sentindo a música que toca como a maior profundidade possível”. Tânia diz que possui muitas influências da música clássica e de arranjos vocais, além do rock e do grupo 14 Bis. Ela diz que a formação musical ajuda muito na escuta, principalmente na hora que começa a perceber as passagens complexas pelas quais o músico tem que resolver. “Um músico formado em música erudita consegue facilmente passar para o popular. Já o contrário é muito difícil de acontecer. É uma base necessária”, completa a artista.

Farlley possuía o desejo de gravar seu segundo disco autoral há bastante tempo – o primeiro, Gênese, foi lançado em 2000 no Rio de Janeiro e relançado em 2015 qunando foi inserida a faixa 6, Tristesse, gravada no Chipre, país insular no leste mediterrâneo. Sua esposa, a arquiteta e lightin designer Jamile Torman Derze, é uma das maiores responsáveis pela concretização do sonho do pianista. “Quando se é artista, surge a necessidade de alguém que cuide da logística. Assim passamos da idealização para a realização”, ressalta Jamile. Ela diz que incentivar a rotina produtiva foi essencial para que o disco ganhasse vida.

Ela também cita a forma como o disco foi construído. “Através dos ideais que Farlley queria passar no disco, ofereci algumas sugestões que se encaixaram para organizar o repertório. Logo, eu e ele conseguimos dar uma direção para elaborar o CD.” E Jamile ainda completa: “As músicas, por exemplo, estão em ordem cronológica de criação”. Isso revela, segundo Farlley, a transformação ao longo tempo pela qual suas composições passaram – daí o nome do CD, Metamorphoses. Para tanto, ganhou de presente a capa do disco, feita pelo artista plástico Páris Bogéa. Farlley explica:

“O nome da obra é Madonna. Para mim é uma metamorfose também, pois vários artistas pintam a Madonna, e cada um em sua linguagem e releitura. Meu disco passa por uma transformação a cada faixa – cada uma trazendo uma releitura de momentos diferentes da minha vida”.

Ordem das músicas no CD:

  1. Cavalaria real (1978)
  2. Caçada (1986)
  3. Ponta e faca (1988)
  4. O céu de terça-feira (1988)
  5. O beijo e os cabelos da sereia (1988)
  6. Pura (1988)
  7. Pintura, renda e pesca (1990)
  8. O tempo (1995)
  9. Quintais (2016)

Por último, o pianista diz que a inspiração e o objetivo para começar o projeto eram, simplesmente, saber se era capacitado a criar música. Ele define seu estilo composicional como “um miscigenado das linguagens populares”, o que é muito perceptível ao ouvir suas performances.

Entre os comentários dos que estavam presentes no evento, que aconteceu de forma privada na casa dos Derze, referiam-se além do estilo musical ao próprio clima agradável gerado pela família.

– O clima familiar ajuda na própria harmonia da música (Naiça)

– É desafiador entender a música, mas não causa uma ansiedade, é muito firme (Stênio, fomado em jornalismo)

– A música instrumental nos traz mais para o presente e não nos causa uma ansiedade como em outros estilos (Tályta Almeida Coelho)

– As músicas dele me lembram um quebra-cabeça. Nada está ali por acaso e tudo se encaixa com maestria. (Jorge Alves)

– Compartilhar o momento de gravação com os amigos acaba deixando tudo mais fluido e relaxado, tornando um ambiente mais propício para as improvisações, por exemplo. O Farlley tem essa pegada erudita, uma veia fusionada, mas é uma música que respira, uma composição refinada, não engessada – que é a cara do evento em si. (Hugo Coelho)

– O Farlley tem uma sensibilidade diferente: Amorosa, acolhedora. Geralmente a música costuma ficar em um plano mais etéreo. Mas aqui não, aqui todo mundo entende. (Gisele Leite L’Abbate)

Em uma análise da obra, percebe-se que há passagens bem complexas e músicas repletas de momentos que, apesar de seguir uma lógica composicional, surpreendem com improvisações excelentes e arranjos muito bem preparados. Gravar um CD parece fácil, mas é muito trabalhoso. E quanto mais trabalho, mais gratificante é o resultado.

Na lista de convidados a participar da gravação, encontram-se nomes como os dos músicos Oswaldo Amorim, Igor Diniz e Pablo Oliver, no contrabaixo; Sandro Araújo, Sandro Souza e João Ricardo Denicol, na bateria; Isaac Gomes, nos saxofones tenor, alto e soprano; Gabriel Oliveira, na guitarra; Paulinho do Trombone, no trombone; Argemiro Jr., no trompete; e Páris Bogéa como o designer gráfico do álbum. Cada um com um instrumento que, além de integrar as músicas do disco, obteve espaço de improvisação no CD Metamorphoses.

O compositor dedica sua criação aos músicos e amigos que se integraram em suas composições e à sua família, que fez parte da concretização de seu sonho.

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Uma noite em Paris

Embaixada das Artes, QL 8. Lago Sul, Brasília-DF.

30 de setembro de 2017

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Clair de lune (Debussy)

Piano: Farlley Derze. Gravação: 25-09-2017.

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Noite de jazz

Embaixada das Artes, QL 8. Lago Sul, Brasília-DF.

10 de agosto de 2017

Fotos: Marcia Mossmann

 

Trenzinho do bebê

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Um arranjo que une as músicas “Trenzinho do Caipira” (Villa-Lobos) e “Bebê” (Hermeto Pascoal).

Arranjo: Farlley Derze. Gravação realizada em 07jun2017, na residência do pianista Farlley Derze.

Farlley Derze (teclado), Ian Coury (Bandolim), Igor Diniz (Contrabaixo) e Sandro Araújo (Bateria).

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Pra sempre-Hamilton de Holanda

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Arranjo: Farlley Derze. Gravação realizada em 07jun2017, na residência do pianista Farlley Derze. Farlley Derze (teclado), Ian Coury (Bandolim), Igor Diniz (Contrabaixo) e Sandro Araújo (Bateria).

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Gnossienne nº1-Erik Satie

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Arranjo: Farlley Derze. Gravação realizada em 07jun2017, na residência do pianista Farlley Derze. Farlley Derze (teclado), Ian Coury (Bandolim), Igor Diniz (Contrabaixo) e Sandro Araújo (Bateria).

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Ian Coury Quarteto

Show no Clube do Congresso, a convite da Academia Latinoamericana de Ciência e História, 21/04/2017.

E fotos do dia da gravação de três músicas na residência do pianista Farlley Derze, em 06/06/2017.

 Ian Coury Quarteto

Baixo: Igor Diniz

Bandolim: Ian Coury

Teclado: Farlley Derze

Bateria: Sandro Araújo

300 & Jazz


 

Festival do Buraco do Jazz , Eixão do lazer na 214 sul, Brasília, 30/4/2017.

Dia 30/04/17, domingo, das 11 às 13 horas,  a 300 & JAZZ vai abrir o Festival do Buraco do JAZZ no eixão do lazer, na altura da SQS 214. VENHAM! Boa oportunidade de curtir músicas de qualidade, acompanhados de filhos, vovós e até os bichinhos de estimação, além dos amigos é claro. Recomenda-se trazer cadeira de praia, toalha de piscina, esteiras e etc., para esticar no gramado e ficar confortavelmente instalado. Vários food trucks estarão no local, garantindo serviço gastronômico.

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300 & Jazz

Voz: Renata Levi

Voz: Renato Ramos

Bateria: João Ricardo Denicol

Baixo: Pablo Oliver

Guitarra: André Moura

Teclado: Farlley Derze

Sax: Esdras Veloso

Empresária: Rosana Lepletier

Roadie: Léo Levi


9º Festival Internacional de Filmes Curtíssimos, Cine Brasília, 30/4/2017.

No dia 20 de abril de 2017 a banda 300 & Jazz foi convidada para animar a abertura do 9º Festival Internacional de filmes curtíssimos. No repertório, canções selecionadas para atender a diversidade do público presente. Quem estava no evento pode escutar algumas jóias do música internacional, com arranjos refinados tais como:

ALL OF ME
SUMMERTIME
GEORGIA
REHAB
I PUT A SPELL ON YOU
COUNTRY MAN
UNCHAIN MY HEART
HOUND DOG
MISTY
MOON RIVER
SKYLINE PIGEON
FLY ME TO THE MOON
JUST THE WAY YOU ARE
I’M NO GOOD
FEVER
AIN’T NO SUNSHINE
ABILOLOU (autoral)
AT LAST
STAND BY ME
MY WAY

300 & Jazz

Voz: Renata Levi

Voz: Renato Ramos

Bateria: João Ricardo Denicol

Baixo: Pablo Oliver

Guitarra: André Moura

Teclado: Farlley Derze

Sax: Esdras Veloso

Empresária: Rosana Lepletier

Roadie: Léo Levi

Discografia

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GÊNESE

2000 e 2015 (reedição). Capa: Antares Produções

Álbum de músicas autorais e arranjos. 21 de julho de 2000; 5 de novembro de 2015.

Captação, mixagem e masterização: Marco Aurélio Valle (RJ)

Farlley Derze: piano, composições e arranjos (Rio de Janeiro, 2000)

Wallace Cardoso: bateria (Rio de Janeiro, 2000)

Marcos Nato: baixo (Rio de Janeiro, 2000)

Alexia Yiangou: violoncelo (Chipre, 2012)

FAIXAS:

Sertões (Farlley Derze)

Caminhada (Farlley Derze)

O rito da primavera (Farlley Derze)

Estações (Farlley Derze)

Uma noite assim (Farlley Derze)

Tristesse (Chopin)

Aldeias (Farlley Derze)

Memórias (Farlley Derze)

Gênese (Farlley Derze)

Metrópole (Farlley Derze)

Tarde esquecida (Farlley Derze)

Trilogia brasileira (Fantasia sobre as músicas “Bebê” (Hermeto Pascoal), “Trenzinho do caipira” (Villa-Lobos) e “Canção da criança” (Francisco Alves e René Bittencourt).
Piano e arranjo: Farlley Derze)

Armando’s Rhumba (Chick Corea)


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JAZZ NAVIDAD

2001. Capa: Jamile Tormann (obra do artista plástico João Drummond)

Álbum de músicas da tradição natalina. 5 de julho de 2001

Captação, mixagem: Farlley Derze;  masterização: Fernando Ávila (RJ)

Farlley Derze: piano e arranjos (Brasília, 2001)

FAIXAS:

Jingle bells

Noite feliz

Papai Noel

Les anges dans nos campagnes

 White Christmas

Greensleeves

Nas estrelas

Os arautos anjos cantam


 

Acalanto 

ACALANTO

2002. Capa: Jamile Tormann

Álbum de músicas do cancioneiro infantil. 19 de maio de 2001

Captação, mixagem e masterização: Farlley Derze

Farlley Derze: teclado e arranjos (Brasília, 2001)

FAIXAS:

O cravo brigou com a rosa

Escravos de Jó

Fui no Itororó

Se essa rua fosse minha

Cai cai balão

A canoa virou

Pirulito que bate-bate

Havia uma barata

Marcha soldado

Atirei o pau no gato

Ciranda cirandinha

Peixe vivo

Boi da cara preta

Nana nenê

Carneirinho, carneirão

Samba lelê


 

 

METAMORPHOSES

2017. Capa: Jamile Tormann (obra do artista plástico Páris Bogéa)

Álbum de músicas autorais. 23 de setembro de 2017. Gravado ao vivo na residência do Farlley Derze.

Captação, mixagem e masterização: João Ricardo Denicol

Farlley Derze: piano, composições e arranjos

Sandro Araújo: bateria 

Sandro Souza: bateria

João Ricardo Denicol: bateria

Oswaldo Amorim: contrabaixo e baixo elétrico

Pablo Oliver: baixo elétrico

Igor Diniz: contrabaixo

Isaac Gomes: saxofone

Argemiro Jr: trompete

Paulinho Trombone: trombone

Luciana Morato: flauta

Gabriel Oliveira: guitarra

FAIXAS:

Quintais (Farlley Derze)

O tempo (Farlley Derze)

Pintura, renda e pesca (Farlley Derze)

Pura (Farlley Derze)

O beijos e os cabelos da sereia (Farlley Derze)

O céu de terça-feira (Farlley Derze)

Ponta de faca (Farlley Derze)

Caçada (Farlley Derze)

Cavalaria real (Farlley Derze)


 

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MUSIC ANDA EMOTION

2019. Capa: Jamile Tormann (obra do artista plástico João Drummond)

 

 

Arranjos

Trio de Janeiro. Miami Beach, Florida, USA, Jan-Oct, 2016.

Farlley Derze: keyboard

Ramatis Moraes: Guitar

Rose Max: Vocal

 

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Duo Aura. Brasília-DF, Brasil. Mar, 2017.

Song: Quem sabe isso quer dizer amor

Composer: Milton Nascimento

Farlley Derze: keyboards

Zila Siquet: vocal

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Keyboard: Farlley Derze

Song: Malandro

Composer: Jorge Aragão

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Keyboard: Farlley Derze

Song: Todo azul do mar

Composer: Flavio Venturini

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Keyboard: Farlley Derze

Song: Over Joyed

Composer: Steve Wonder

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Keyboard: Farlley Derze

Song: Paisagem da janela

Composer: Beto Guedes

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Duo Aura. Brasília-DF, Brasil. Mar, 2017.

Song: Rosa desfolhada

Composer: Toquinho e Vinícius de Moraes

Farlley Derze: keyboards

Zila Siquet: vocal

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Aulas e cursos


TEORIA MUSICAL

Nível básico

Descrição: o estudo da teoria musical é uma forma de compreender os elementos estruturais da música.

Nível: Básico.

Carga Horária: 12 horas.

Programa do curso:

  • Propriedades do Som
  • Pentagrama
  • Claves
  • As notas
  • Escalas
  • Intervalos
  • Compassos
  • Ligadura, ponto de aumento e fermata

Valor do curso: 900,00

Nível intermediário

Carga Horária: 12 horas.

Programa do curso:

  • Andamento
  • Dinâmica
  • Enarmonia
  • Tons relativos e tons vizinhos
  • Modulação
  • Solfejo

Valor do curso: 900,00

Nível avançado

Carga Horária: 12 horas.

Programa do curso:

  • Transposição
  • Introdução a harmonia: formação de tríades e tétrades
  • Estética musical

Valor do curso: 900,00

 

AULA DE PIANO

Descrição:  o atendimento é feito pelo período de tempo que o aluno desejar.
 
Nível: Único.
 
Carga horária: uma hora de aula por semana.
 
Programa do curso: teoria musical, composição, improviso, modelagens, trilha sonora para poemas ou imagens, interpretação, técnica pianística.
 
Formato: aula individual; valor: 100,00 por hora.
 
Formato: aula em grupo para crianças, veja especificação de preços abaixo:
 
Valor: aula para  2 crianças, o valor individual é de 75,00 por hora;
 
Valor: grupo com  3 crianças, o valor individual é de 50,00 por hora;
 
Valor: grupo entre 4 até 7 crianças, o valor individual é de 35,00 por hora.
 
Local: na residência do professor, no Condomínio Solar da Serra, Setor Habitacional do Jardim Botânico, Brasília-DF. O espaço conta com ampla área verde à sombra, uma mesa para 14 lugares (as crianças sentam-se com distanciamento); dois teclados para as aulas práticas. Os pais podem permanecer no local sentados numa área próxima se assim desejarem.
 
Material a ser trazido pelo aluno: um caderno pautado (com as cinco linhas da partitura), lápis e borracha.
 
Aula experimental: o professor oferece uma aula experimental tanto para a modalidade de aula individual (100,00 por hora) como para a modalidade de aula em grupo para crianças, desde que haja um grupo mínimo de 3 crianças.

HARMONIA

Descrição: O estudo da harmonia favorece a compreensão  do funcionamento dos acordes que acompanham uma melodia. Visa oferecer caminhos e ideias para o participante tomar decisões sobre os acordes que vai empregar nos diferentes trechos da música.

Nível: Único.

Carga Horária: 20 horas.

Programa do curso:

  • Origem da harmonia na música ocidental
  • Tipos de acordes
  • Inversão de acordes
  • Função dos acordes
  • Harmonização com acordes
  • Harmonia número 8
  • Padrão 7/13 com melodia num único dedo.
  • Exercício e Prática de harmonização
  • participante apresentará a harmonização de 3 músicas a escolher

Valor: 1.500,00

COMPOSIÇÃO POR MODELAGEM MUSICAL

Descrição: Este é um curso de composição para quem deseja compor suas próprias músicas. Utiliza um método original desenvolvido pelo autor: modelagem musical (m-modeling).

Nível: Único.

Carga Horária: 16 horas.

Programa do curso:

  • Técnica da modelagem
  • Estética da composição: estrutura, forma, dinâmica e intenção
  • Notação musical
  • O participante apresentará 3 composições próprias ao final do curso

Valor: 1.200,00

IMPROVISAÇÃO

 IMPROVISAÇÃO IDIOMÁTICA

Descrição: o curso visa estimular a criatividade com base em referências obtidas de uma variedade de escalas musicais.

Nível: único.

Carga Horária: 16 horas.

Programa do curso:

  • Notas do acorde com células rítmicas
  • Notas do acorde sem células rítmicas
  • Melodias emprestadas
  • participante apresentará suas improvisações em 3 músicas a escolher

Valor: 1.200,00

 IMPROVISAÇÃO EXPERIMENTAL (INTUITIVA)

Descrição: o curso visa a elaboração do improviso com base na intuição melódica advinda do exercício da imaginação.

Nível: Único.

Carga Horária: A escolher.

Programa do curso: solfejar fragmentos melódicos intuitivos e anotar sua estrutura rítmica, sua vertente tonal ou atonal, explorar a transposição dos fragmentos em relação à harmonia, executar em diferentes velocidades.

Valor: 100,00 por hora

MASTERCLASS

Descrição: Bate-papo interativo com os ouvintes sobre a prática de interpretar uma música baseada em variações de compasso, dinâmica e re-harmonização.

Mínimo de participantes: 10

Carga Horária: 1 hora.

Valor: 750,00 (equivalente a 75,00 por pessoa).

WORKSHOP DE MODELAGEM MUSICAL

LEITURA DE PARTITURA PARA LEIGOS

Descrição: Capacitar o participante à leitura e escrita da partitura, pela compreensão da função de seus símbolos.

Cada indivíduo traz consigo alguma vivência musical. Todavia, embora sejamos familiarizados com a música (desde a infância), raramente alguém tem a oportunidade de compreender a estrutura da música. O mesmo acontece no campo dos símbolos enquanto imagens que representam alguma coisa. Este curso deseja unir as experiências auditivas e visuais. Assim, a partitura será apresentada com um delimitado conjunto de símbolos de modo a se associar imagens a sons que servirá de parâmetro para se compreender como funciona uma partitura e por meio dessa compreensão promover a criatividade e a composição. Cada participante pode compor uma música por meio dos símbolos da partitura. As composições serão tocadas pelo professor em um piano.

Máximo de participantes: 10

Carga Horária: 3 horas.

Valor: 225,00 por pessoa.

Para um grupo fechado de 10 pessoas: valor total 1.500,00 (equivalente a 150,00 por pessoa).

HISTÓRIA DA MÚSICA

Descrição: O participante vai compreender os padrões de melodia, ritmo e harmonia da música erudita ocidental produzida nos seguintes períodos históricos: Idade Média, Renascimento, Barroco, Classicismo, Romantismo, Modernismo. Em paralelo, conhecerá as origens do blues, do jazz, do rock, do choro, do samba, da bossa-nova, da MPB, além das vertentes populares regionais como baião, frevo, maracatu, milonga, fandango, toada, ciranda.

No curso, as músicas de cada período são tocadas ao vivo com a explicação daquilo que o ouvinte deve focar em audição para aprender a diferenciar as músicas e seus estilos.

Máximo de participantes: 10

Carga Horária: 4 horas com intervalo de 15 minutos.

Valor: 100,00 por pessoa.

Para um grupo fechado de 10 pessoas: valor total 500,00 (equivalente a 50,00 por pessoa).

Credo poético

Escreverás para ela acima de todas as coisas.

Não assinarás teu nome em vão.

Guardarás a magia das madrugadas.

Honrarás paixão e amor.

Não apagarás.

Não farás rascunhos da vaidade.

Não imitarás.

Não confessarás falsidades nas entrelinhas.

Não desejarás a musa do próximo.

Não cobiçarás as poesias alheias.

A imperatriz

 

Hoje acordei de várias maneiras.

Na primeira vez ainda não havia luz lá fora. Só o silêncio e alguma incerteza.

Na segunda vez foi o som da chuva e os rascunhos de luz vazando pela cortina.

Na última vez o som da chuva era ainda mais forte. Fechei os olhos que olhavam para o teto e correntezas de lembranças começaram a me levar.

Passadas em alta velocidade, sob minhas retinas, tantas variedades de imagens, cores e sensações, indo e vindo na velocidade da chuva, de repente, tudo some exceto uma imagem. Puxo o lençol um pouquinho para me recobrir, e fico inerte entre as paredes e os sons das águas, quieto como o mármore, para resguardar aquela imagem que se fixou, vinda do fundo das outras.

Abaixo de minhas pálpebras, presa em minha respiração morna e lenta, eis o rosto dela.

Silêncio.

Uma imperatriz.

Gotejam os pingos em minha janela, ouço os sons e uma sinfonia inicia o seu tráfego, os seus acordes, notas transcrevendo um mapa de mistérios.

O rosto dela permanece, preenchendo toda a tela de minha visão.

Minhas pálpebras resguardam a bela imagem, como uma porcelana.

Rosto de pele branca, suavidade encoberta como um pêssego.

Sob os olhos emergem um promontório de sinais discretos que recobrem e transpassam o nariz, de um lado a outro, como uma discreta ferrugem.

Atrás de seu olhar repousam cabelos… tantos… quietos.

Composição feita de cor, sinais e olhar, suavidade e mistério.

Antes fosse apenas beleza com a qual se afeiçoam os homens.

Antes fosse apenas vontade de dizer e ouvir.

Antes fosse um truque com palavras e gestos.

Antes fosse uma sinfonia que começa e acaba, uma chuva que nos acorda e depois seca, uma luz que escapa, um dia que torna um homem feliz.

Antes fosse, tantas coisas possíveis.

Mas a poesia prefere o impossível, a prece, o intocável, o vivo.

Ontem ouvi a voz desta imperatriz.

Não lembro bem suas palavras, porque me dizia mais o próprio som.

Debaixo dos lençóis e das pálpebras, seu rosto e sua voz. Lá no fundo, a minha sinfonia predileta, minha respiração esquenta, acelera, o peito sobe e desce, minha pele se fragiliza como o tecido de uma bandeira presa ao vento.

Meu ritmo sai do compasso da música.

O rosto dela cresce em minhas retinas, cresce e se agiganta.

Aperto os lençóis, mordo os lábios, escuto o som da voz, meu coração interfere com seu ruído veloz, o ar desorganiza-se em minhas narinas, a bandeira e a ventania, seus olhos estão mais perto dos meus,

a fina ferrugem, o hálito juvenil, sou tragado e águas lá fora carregam folhas e outras incertezas.

Abro os olhos e … Silêncio entre mim e o teto, entre o quarto e a chuva que se foi há tempo.

Lá fora as folhas rolam entre o seco e o molhado.

Dentro de mim novas incertezas, e uma voz morna e escondida.

Composições

Gênese

Paradoxa Duo

Paradoxa Duo
 
Na música, o improviso é algo que atrai o interesse de muitos músicos. Segundo o dicionário online priberam de língua portuguesa, improviso pode ser um substantivo que significa “Poesiadiscurso ou peça musical que se inventa de repente”. Pode também ser um verbo que significa “Dizer ou fazer de repentesem premeditação ou sem os elementos precisos”. Todavia, no campo da música o improviso pode ser uma atividade na qual se pode instruir um músico a como improvisar, o que retira bem-dizer a intuição como fonte do improviso. No mercado editorial há centenas de livros voltados a instruir um músico que tenha interesse em improvisar, ou seja, que tenha interesse em aprender a improvisar. Para tanto, os livros oferecem uma gama de escalas com as quais o músico poderá fazer combinações com as notas daquelas escalas a fim de produzir uma melodia que caracterize o seu improviso. Eu chamaria esta prática de improviso idiomático. Pois, na prática (em si) trata-se antes de citações de notas de uma determinada escala, ou determinadas escalas. Assim, seria, antes, um “improviso” pensado em vez de um improviso intuitivo. Ao se pensar, ao se racionalizar, ao se citar um conjunto de notas extraídas de uma escala, a consequência é a construção de uma melodia que soa como um idioma, isto é, com uma sonoridade específica. Quando diferentes músicos usas uma escala modal do tipo mixolídia (por exemplo), para fazer seus “improvisos”, em dado momento o ouvinte irá perceber que as notas são as mesmas e o que varia é a sequência daquelas mesmas notas, ainda que sejam diferentes os músicos cada um decidiu utilizar, combinar, as mesmas notas. Um ouvinte mais experiente com as escalas modais, como a mixolídia, poderá dizer: “parece música nordestina”. Assim, em vez do termo “improviso” penso que o termo adequado seria “citação” ou “aplicação”, uma vez que a fonte do “improviso” é uma decisão racional em se utilizar (citar) as notas de uma ou mais escalas.
 
Improvisação idiomática 
Quando o fraseado se baseia num vocabulário de escalas tonais e modais, a tarefa do improvisador é a de construir o fraseado com o uso das notas daquelas escalas, ou seja, por meio da combinação das notas agrupando-as ou misturando-as entre si, ou com as notas de uma outra escala. Tal aplicabilidade é o que popularmente no meio dos músicos se costuma chamar de “improvisação”, que é diferente de “inventar de repente” conforme o dicionário. O que o músico “inventa”, no caso de uma improvisação idiomática, é a maneira de combinar as notas de escalas pre-existentes, o que aumenta as chances do “improviso” de diferentes músicos soar parecido, pois usam um mesmo padrão de escalas e notas. Escrevi um artigo sobre “improvisação idiomática“, e nele disponibilizo uma listagem de algumas das escalas que muitos músicos gostam de usar ao praticarem este tipo de improvisação. Quero deixar claro que não estou aqui tentando invalidar esta prática. Ela funciona. Meu interesse é refletir sobre o termo “improvisação”, de modo que se possa pensar numa distinção entre “improvisação idiomática” e improvisação, propriamente dita, isto é, o improviso intuitivo que poderíamos chamar também de improviso experimental.
A partir deste ponto, vou examinar o trabalho de um duo de guitarristas chamado PARADOXA DUO. O duo é formado por Edgard Felipe (27 anos) e Kino Lopes (21 anos). Segundo palavras do próprio Kino Lopes trata-se de um trabalho baseado em “improvisos intuitivos com músicas completamente improvisadas e a única coisa que guia o som são os ouvidos”. O álbum leva o nome do duo, “Paradoxa”, e contém nove faixas:
  1. Eleve (04:34)
  2. Kabbala (04:02)
  3. Zora’s (03:26)
  4. Espigno (02:26)
  5. Asias (08:28)
  6. Irisarco (03:05)
  7. Areia (01:51)
  8. Solar (04:43)
  9. Schoenberg (02:50)
1-Eleve (04:34)
A primeira coisa que chama atenção é a base rítmica feita por um trinado que pode incitar memórias de um bandolim no registro grave, e uma melodia que passeia no território do fado até desembocar num acorde de sétima maior (02:00) que funciona como uma janela para outro ambiente sonoro, à medida que o baixo desce diatonicamente enquanto se ouvem acordes maiores e menores a preparar o terreno para um fraseado que cruza a fronteira portuguesa para adentrar em terreno sutil e melodicamente espanhol (02:41). A harmonia assume uma postura de ostinato tonal e consonante enquanto a melodia excursiona por fraseados diatônicos temperados com lampejos dissonantes, como quem não necessita de uma identidade tonal até encontrar o silêncio.
2-Kabbala (04:02)
Kabbala começa com uma espécie de contraponto de notas que parecem soar com o objetivo de apresentar o timbre de cada guitarra. Em 00:40 surge um movimento rítmico de uma das guitarras enquanto a outra repete um motivo melódico que vem funcionar como um pedal para a improvisação da harmonia. Esta transita livremente entre acordes e arpejos como quem busca juntar para si diversos laços tonais e formar um caleidoscópio harmônico. Em 02:18 o motivo melódico cessa para dar passagem a uma nova proposta melódica apoiada por um ciclo harmônico de acordes maiores e menores, que se repetem para emoldurar a liberdade melódica. Em 03:26, melodia e harmonia se unem na forma de colcheias sincrônicas até a diluição da atmosfera sincronizada em 03:53 feita por um acorde surpresa que chega para desenhar o vazio.
3-Zora’s (03:26)
Nas improvisações anteriores, pode-se dizer que não há um padrão musical que se aproxime daquilo que um ouvinte esteja acostumado. Em Zora’s, sim. Tanto para leigos como para músicos, parece que se vai ouvir uma improvisação que foi escrita numa partitura, devido ao padrão tonal de um arpejo em quiálteras de um acorde menor. Quando a outra guitarra entra, coloca nos nossos ouvidos notas propositadamente encaixadas no campo harmônico da outra guitarra. A impressão que tive foi que os dois guitarristas usaram esse tecido sonoro musicalmente mais habitual para que praticassem um improviso de pausas. Em 00:37 as pausas tornam-se ausentes e são substituídas por duas linhas melódicas interdependentes, sem a presença de acordes. A partir de 00:40 se configura uma espécie de fuga barroca, entretanto, atonal. Em 02:54 uma das guitarras retoma a ideia inicial no sentido de uma exposição sonora mais comum ao cotidiano dos leigos, e ambos finalizam a obra com aquilo que identifiquei como sendo um improviso de pausas.
4-Espigno (02:26)
Aqui, eu faço a proposta para o ouvinte separar o que ouve. Isto é, tentar ouvir apenas uma das guitarras. Depois, voltar ao início e ouvir apenas a outra. Uma faz um percurso melódico que poderia servir para a letra de um fado, mas um fado que escapa das rédeas tonais e do mormaço das fermatas; a outra faz uma marcação rítmica que poderia servir de base para um tango. As duas melodias são heterogêneas dentro de um mesmo recipiente acústico. Tal qua uma mistura em fogo lento, a música evapora sem esperar pelo ouvinte.
5-Asias (08:28)
Por ser a peça mais longa do álbum, parece uma suíte. Em 00:26 ouve-se os harmônicos de uma das guitarras num clima que sugere um minimalismo proporcionado pelo ostinato da corda solta, nota lá, que ocupa o centro da improvisação. Há uma longa sequência de colcheias que trafegam marcadamente, do grave ao agudo, como se rodopiassem o ostinato da nota lá cujo resultado, pelo menos para mim, serviria de trilha sonora para a paisagem árida do sertão nordestino. A partir de 01:45 uma das guitarras assume que fará uma base no estilo “walking bass”, com semínimas marcadas até que em 03:11 tal base se desmancha numa espécie de contraponto ad libitum até que em 03:36 uma célula rítmica se instala, e tal célula se converte em outra, e depois em outra num jogo de variações sincopadas que se estende até 06:10. A partir de então surge um novo clima rítmico. Assim, a peça parece ser uma suíte de frases rítmicas em vez das frases meramente melódicas. O ostinato volta à cena ainda mais forte. Em 07:23 o diálogo entre as guitarras retoma o fraseado rítmico e melódico já experimentado na mesma música, todavia com uma variação nova.
6-Irisarco (03:05)
Esteticamente (a aparência sonora) esta faixa carrega uma essência romântica na fronteira com a estética modernista, romântica pelos ingredientes da melodia ora diatônica ora acidentada numa teia de modulações; modernista na coda quando a diluição dos compassos apresenta um certo atonalismo no horizonte.
7-Areia (01:51)
É a única faixa em que uma das guitarras se despe de sua condição melódica e harmônica para vestir-se de instrumento percussivo. A melodia se acompanha com acordes episódicos enquanto a “percussão” explora células tímbricas sem se fixar a um ritmo. Eu ouvi tendo em mente a ideia de que a “percussão” fazia o tema, enquanto a outra guitarra construía situações melódicas para o acompanhamento.
8-Solar (04:43)
Durante um pouco mais de um minuto (00:35 a 01:41) o duo sugere uma linguagem melódica e harmônica tipicamente das raízes sertanejas brasileiras. Não me refiro aqui à música denominada “sertaneja” da indústria fonográfica, mas à música sertaneja dos violeiros do interior do país. Após esta exposição que sublinha uma brasilidade, uma das guitarras investe num ostinato de uma quinta justa descendente enquanto a outra desenha fraseados com arabescos que tangenciam motivos flamencos (01:41 a 02:35), cuja conclusão da exposição funciona como introdução a um novo motivo desta vez com um aroma da música tradicional grega, em que acordes marcam um pulso enquanto a outra guitarra trabalha com intervalos recorrentes de quarta justa descendente, com sutis variações (02:35 a 03:21). A partir de 03:22 as guitarras buscam um diálogo com células curtas e pausas, sem eliminar o ostinato de intervalos justos e descendentes como pano de fundo. Em 04:05 uma das guitarras migra para uma região mais grave com uma nova célula rítmica e notas acidentadas que pouco a pouco se convertem em notas melodicamente diatônicas, como base para a outra guitarra que permanece na região aguda com um ostinato que se dilui rumo a um sotaque modal até que uma nota final é lançada e a peça se conclui num silêncio proposital.
9-Schoenberg (02:50)
Se as obras anteriores foram intituladas de modo a permitir uma interpretação variada quanto ao significado de cada título, o título da última faixa traz uma objetividade à interpretação de seu significado: Schoenberg. Trata-se do compositor austríaco, considerado o criador do dodecafonismo. Curiosamente, a faixa inteira possui um centro tonal. Uma das guitarras faz uma base de corda solta em que aproveita a flexibilidade percussiva do instrumento, enquanto a outra desliza acordes como um pêndulo. A guitarra base reforça o centro tonal em dó sustenido menor. Se é proposital ou não, tal paradoxo, pode ser uma dentre tantas outras possíveis justificativas para o nome que o duo escolheu para si: Paradoxa. 
Considerações finais
O trabalho de improvisação (espontânea, intuitiva, experimental, alquímica) do Paradoxa Duo tem no conjunto sutis mudanças de registro e uma unidade estrutural orgânica. Portanto, não se trata de composições formais onde predomina um tratamento melódico-harmônico que depende do desenvolvimento de um motivo por meio da variação. Assim, não se espera encontrar a forma ABA ou outra qualquer tendo em vista a organicidade, ou espontaneidade, do trajeto melódico, rítmico e harmônico. Definitivamente, são melodias improvisadas, segundo o significado da palavra improviso no dicionário: “inventa de repente”. Pois, não há evidências de que as melodias tenham sido ensaiadas. Os dois músicos praticaram a essência da palavra improviso, de modo que nenhum deles poderia imaginar o que teriam pela frente no diálogo experimental a que se propuseram realizar. Eu ouvi cada faixa três vezes, sempre com um headphone. Durante a escuta eu prefiro estar desprovido de qualquer expectativa. Prefiro escutar cada novo trabalho com foco na estrutura sonora, nos materiais empregados e como são articulados em relação ao tempo que transcorre compasso a compasso. Para quem só descobriu uma maneira de escutar música pode não aceitar outras oportunidades de escutar trabalhos de livre improvisação e tantas outras experiências musicais com ou sem a ancoragem tonal. O que ouvi no conjunto das nove faixas é o pleno exercício da criatividade e experimentalismo, sem nenhuma pretensão de exposição virtuosística tampouco qualquer representação de algum estilo específico. Paradoxa Duo representa a si mesmo dentro de uma proposta de improvisos intuitivos, isto é, sem estarem presos a esquemas idiomáticos das escalas modais, pentatônicas e tantas outras empregadas por outros improvisadores. O duo nos convida a sentir duas guitarras que se encontram como instrumentos que se fundem, como se fossem enarmônicas e, ao mesmo tempo, ora simétricas ora assimétricas, ora melódicas ora harmônicas, ora tonais ora atonais, ora ortodoxas ora heterodoxas, ora dependentes ora independentes. Chego a pensar que cada um deles era ora músico ora espectador.


O álbum Paradoxa pode ser ouvido aqui: https://bizraremusic.bandcamp.com/album/paradoxa