Malos vecinos

Malos vecinos

Alguien que vive dentro de mí preguntame si yo cerré la puerta. “No me molestes”, le contesté y añadí “recuerdate que tras nuestra última charla dije que la dejaría abierta”.

Lo que pasa es de haber mucha gente que ha logrado tener un sitio en mi cabeza.

Según mis teorías hechas mientras tomo mis desayunos, no tenemos capacidad de soportar la soledad.

Otro día, en un miércoles (qué coño, ni siquiera era un lunes) uno se acercó de la zona de mis mejores recuerdos y empezó a me decir tonterías de las que yo no podría decir aqui. “¡Basta! ¡cállate!”, yo grité. Y hablaba docenas de palabras tras palabras como una pistola automática. “¡Qué puta madre!”, pensé y me puse a balbuciar sonidos para suprimirle la voz, pero no, nada y nada, y peor, mucho peor, se puso a decir que mis historias, mis hechos, incluso mis sonrisas de antaño eran disfraces de una vida vacía. “¿Y qué?”, grité con la taza caliente de café que eché de golpe en la mesa. Y salí a las calles, y muy inteligentemente descendí las escaleras hacia al fondo de la línea 6 del metro, y me lancé al centro de la turba que, desde el andén hasta al coche, todo y todos se convirtieron en una masa disforme de sonidos de personas hablantes en sus móviles que pisoteaban en sus propias sombras y sí, por supuesto, la voz insoportable desapareció tal cual el tren que se sumergió en el destino penumbroso del mundo subterráneo.

A unos la ideia de disfrutarse de la soledad es una ambición muy utópica. La realidad (muy cruda y dolorosa) es que en la cabeza viven muchos vecinos indeseables, unos con sus derrotas otros con sus vicios de victoria sobre nuestra paz.

Ayer por la noche una voz me despertó con gritos de un ahogado, una voz que reside hace tiempo en un rincón donde me guardo la historia de un amor fracasado, cuando tenía yo mis veinte y tantos años. “¡Qué mierda lo de no tener mi privacidad para dormir!”, pensé mientras me levantaba. Me fui hasta la cocina y cogí de la nevera una botella de cerveza. Así que, tras cuatro botellas logré dominar la voz que repetía sin parar “lo de amor no existe porque no lo sabe, y no lo sabe porque no lo intentaste, y no lo intentaste porque eres un cobarde…”, y esas palabras infames se las repetían en mi cabeza por tal vecino invisible, es decir, “cobarde eres tú, hijo de puta”, le dije yo con mi cerveza apuntada al techo. Sí, por supuesto, se calló.

Al amanecer me desperté con los rayos de sol en la ventana de la cocina como pinchos abriendo agujeros en mis párpados.

Cuatro botellas en la mesa y tres en el suelo. Quizá hasta la noche me quedaré sólo en mi cabeza, este territorio que día tras día es invadida por malos vecinos.


Maus vizinhos

Alguém que vive dentro de mim pergunta-me se fechei a porta. “Não me incomode”, respondi e acrescentei “lembre-se que depois da nossa última conversa eu disse que a deixaria aberta”.

O que acontece é que há muitas pessoas que conseguiram ter um lugar na minha cabeça.

De acordo com minhas teorias pensadas enquanto tomo meu café da manhã, nós não temos a capacidade de suportar a solidão.

Outro dia, numa quarta-feira (que porra, não era nem uma segunda-feira) alguém se aproximou da área de minhas melhores lembranças e começou a me dizer bobagens que eu não poderia dizer aqui. “Pare! Cale a boca”! E falava dúzias de palavras atrás de palavras como uma pistola automática, “que filho da puta”!, e pior, muito pior, ele começou a dizer que minhas histórias, meus feitos, inclusive meus sorrisos do passado eram disfarces de uma vida vazia, “e daí?”, gritei com a xícara de café quente que bati na mesa. E saí para as ruas, e muito inteligentemente desci as escadas até o final da linha 6 do metrô, e me joguei no centro da multidão que da plataforma até o trem tudo se tornou uma massa de sons distorcidos de pessoas em seus telefones celulares falando e pisando em suas próprias sombras e sim, claro, a voz insuportável desapareceu como o trem que submergiu no sombrio destino do mundo subterrâneo.

Para alguns, a ideia de desfrutar da solidão é uma ambição muito utópica. A realidade (muito crua e dolorosa) é que muitos vizinhos indesejáveis vivem na cabeça, uns com suas derrotas outros com seus vícios de vitória sobre nossa paz.

Ontem à noite uma voz me acordou com gritos de um afogado, uma voz que tem residido por algum tempo num canto onde guardo a história de um amor sem sucesso, quando eu tinha vinte e poucos anos. “Que porra não ter minha privacidade para dormir”!, pensei enquanto me levantava. Fui até a cozinha e peguei uma garrafa de cerveja na geladeira. Então, depois de quatro garrafas eu consegui dominar a voz que repetia sem parar “o amor não existe porque você não o conhece, e você não o conhece porque nunca tentou, e não tentou porque é um covarde…” e essas palavras infames foram repetidas na minha cabeça por um vizinho invisível, isto é, “covarde é você, filho da puta”, eu disse com a minha cerveja apontada pro teto. Sim, claro, se calou.

Ao amanhecer eu acordei com os raios de sol na janela da cozinha como espinhos abrindo buracos em minhas pálpebras.

Quatro garrafas na mesa e três no chão. Talvez até a noite eu fique só na minha cabeça, esse território que dia após dia é invadido por maus vizinhos.

A imperatriz

 

Farlley Derze,  2005


Hoje acordei de várias maneiras.

Na primeira vez ainda não havia luz lá fora. Só o silêncio e alguma incerteza.

Na segunda vez foi o som da chuva e os rascunhos de luz vazando pela cortina.

Na última vez o som da chuva era ainda mais forte. Fechei os olhos que olhavam para o teto e correntezas de lembranças começaram a me levar.

Passadas em alta velocidade, sob minhas retinas, tantas variedades de imagens, cores e sensações, indo e vindo na velocidade da chuva, de repente, tudo some exceto uma imagem. Puxo o lençol um pouquinho para me recobrir, e fico inerte entre as paredes e os sons das águas, quieto como o mármore, para resguardar aquela imagem que se fixou, vinda do fundo das outras.

Abaixo de minhas pálpebras, presa em minha respiração morna e lenta, eis o rosto dela.

Silêncio.

Uma imperatriz.

Gotejam os pingos em minha janela, ouço os sons e uma sinfonia inicia o seu tráfego, os seus     acordes, notas transcrevendo um mapa de mistérios.

O rosto dela permanece, preenchendo toda a tela de minha visão.

Minhas pálpebras resguardam a bela imagem, como uma porcelana.

Rosto de pele branca, suavidade encoberta como um pêssego.

Sob os olhos emergem um promontório de sinais discretos que recobrem e transpassam o nariz, de     um    lado a outro, como uma discreta ferrugem.

Atrás de seu olhar repousam cabelos… tantos… quietos.

Composição feita de cor, sinais e olhar, suavidade e mistério.

Antes fosse apenas beleza com a qual se afeiçoam os homens.

Antes fosse apenas vontade de dizer e ouvir.

Antes fosse um truque com palavras e gestos.

Antes fosse uma sinfonia que começa e acaba, uma chuva que nos acorda e depois seca, uma luz que escapa, um dia que torna um homem feliz.

Antes fosse, tantas coisas possíveis.

Mas a poesia prefere o impossível, a prece, o intocável, o vivo.

Ontem ouvi a voz desta imperatriz.

Não lembro bem suas palavras, porque me dizia mais o próprio som.

Debaixo dos lençóis e das pálpebras, seu rosto e sua voz. Lá no fundo, a minha sinfonia predileta, minha          respiração esquenta, acelera, o peito sobe e desce, minha pele se fragiliza como o tecido de uma bandeira presa ao vento.

Meu ritmo sai do compasso da música.

O rosto dela cresce em minhas retinas, cresce e se agiganta.

Aperto os lençóis, mordo os lábios, escuto o som da voz, meu coração interfere com seu ruído veloz, o ar desorganiza-se em minhas narinas, a bandeira e a ventania, seus olhos estão mais perto dos meus,

a fina ferrugem, o hálito juvenil, sou tragado e águas lá fora carregam folhas e outras incertezas.

Abro os olhos e … Silêncio entre mim e o teto, entre o quarto e a chuva que se foi há tempo.

Lá fora as folhas rolam entre o seco e o molhado.

Dentro de mim novas incertezas, e uma voz morna e escondida.

A semente

Farlley Derze, 2001.


Você é convidado a entrar num palácio. Grande, suntuoso. Você entra e seus olhos mal podem se fixar tamanha a variedade de objetos raros, obras de arte, tapetes, lustres, uma música que vem de algum lugar…, tudo limpo e calmo. Sobe a escadaria, a música se torna mais presente, uma brisa passou de repente, e no andar de cima dois corredores, um de paredes e outro, com portas. O corredor das paredes intriga por não conter nada além das paredes cuidadosamente pintadas. Mas o corredor das portas…

Ao abrir a primeira porta, entra e depara-se com uma sala cujo chão, teto e paredes, tudo é espelho, nenhum móvel no ambiente completamente espelhado. Você entra e se percebe no centro do infinito. Uma certa sensação de desequilíbrio, nada em volta onde se segurar, nenhum objeto. Você se recompõe diante de sua imagem pluralizada, multiplicada, um monte de “eus”. Você faz gestos, começa a brincar e vê que todos eles lhe imitam com exata perfeição. Você sorri, brinca mais, inventa gestos e mais gestos, e se enxerga rodeado da mesma figura ali se divertindo aos montes. Sai da sala, expira o ar que se acumulou com a experiência e gira a maçaneta da porta à frente. Um vendaval lhe descabela completamente e você rapidamente fecha a porta, e só pôde ver as cortinas esvoaçantes, enquanto realinha os cabelos. Encosta o ouvido na porta e ouve aquela música que tocava enquanto subia as escadas. Que estranho! Olha para o fundo do corredor e segue em direção à outra porta, contígua à sala do vendaval. Abre-a com extrema suavidade, curvando-se remediadamente para trás. Nada. Abriu-a então e era um aposento muito bem arrumado, roupa esticada na cama, fotos sobre um armário, o tic-tac de um relógio de parede com pêndulo e ponteiros reluzentes. Permaneceu ali ao som das horas até perceber que os ponteiros não se moviam, embora ouvisse o tic-tac. Sentindo-se um invasor, retira-se e fecha a porta cautelosamente. Olha a porta da sala dos espelhos, a porta do vendaval e aquela que acabara de sair. De repente uma porta ao fundo se abre e saíram de lá dois homens abraçados, bateram a porta dando gargalhadas e dirigiram-se às escadas. Você foi até aquela porta e percebeu que lá dentro muitas outras vozes gargalhavam. Você girou a maçaneta duas vezes e nada. Desiste e caminha em direção à última porta que faltava abrir naquele corredor. Antes de abri-la encosta o ouvido e nota um profundo silêncio. Abre-a! É uma sala de aparência doméstica com várias bacias pequenas distribuídas pelo chão. Você as conta: são trinta e duas bacias. Aproxima-se pé ante pé por entre as bacias, olhando uma a uma, e nota que há terra seca em cada uma, exceto numa que estava úmida onde havia uma semente pousada no centro. Sem saber o que pensar, seu instinto faz com que pegue a semente da bacia. Abaixa-se e a toma nas mãos e a observa ali, naquela posição de cócoras. Olhou ao redor e só o silêncio lhe fazia companhia. Deu-se conta de que deixar a porta aberta. Caminhou até ela com a semente na mão. Todavia, algo inesperado aconteceu. Você não conseguia atingir a porta. À medida que caminhava em direção à mesma, ela se movia de modo a se afastar de você. Depois de cruzar pelo local onde estava a porta, você pára e nota que a porta também pára. Você olha para trás e conclui que apenas o trecho por onde você caminhou foi alterado, como se fosse um espaço elástico. Você olha outra vez a porta e dá mais dois passos em sua direção, todavia ela também se afasta. Você resolve correr e porta parece flutuar sobre o solo e permanece à distância ao deslocar-se com a mesma velocidade que a sua. Você pára outra vez e se pergunta onde estão as outras portas. Ah, sim, estão todas no mesmo lugar. Você as vê embaçadas pelo espaço distorcido. Decide voltar à sala das bacias. À medida que caminha dá uma olhadela para trás e vê que porta também regressa, em velocidade amena como a sua. De propósito você pára. Ela também. Você caminha, ela vem. Finalmente, ao chegar à sala, dirige-se à bacia de onde retirou a semente. Abaixa-se e a recoloca no mesmo lugar. Ao levantar-se, a porta está no devido lugar. Você se levanta, vai em direção à saída com os olhos fixos na porta e a cruza se nenhum problema. Uma brisa fecha a porta delicadamente e você está outra vez naquele corredor. Você decide ir embora e segue em direção à saída, em direção ao portão por onde chegou. O corredor é longo e você avista a luz do dia lá no fundo, distante. Quando chegara ali, não percebera a distância entre o portão e a porta dos fundos onde estão as bacias. Você passa pela porta das gargalhadas, depois a dos espelhos, depois a porta do vendaval e só lhe resta o corredor bem pintado e sem portas à frente, mas percebe que nunca atinge o portão. O corredor parece longo. Você caminha, você aperta o passo e nota que nada se altera. Olha para trás e está tão distante que não consegue mais ver aquelas portas. Aperta ainda mais a passada em direção à saída, mas a luz que vem de lá parece tão longe. Você não ouve nada ao redor, nada se altera. Você decide caminhar sem pressa e nunca saberá que o corredor é infinito.

A sala do vendaval tinha uma janela !

Metabolar

12 de maio de 2015, 19:05

Era assim: tinha um tubo transparente que ficava suspenso a um metro e meio do chão. O tubo tinha um diâmetro que dava para fazer rolar uma laranja. Mas não era o caso. A ideia era fazer um rato doméstico passar por dentro dele. Para isso, nas extremidades do tubo foram fixadas duas pequenas caixas de madeira. Bastava bater a mão na caixa onde o rato estava e ele saía em direção à outra caixa através do tubo. Não! Não é um teste de laboratório. É um instrumento de percussão criado por Dom Fla, um percussionista brasileiro que vivia por 20 anos na França. Habitualmente, escrevia cartas para seu amigo Luiz Alberto, nascido em Ubá, Minas Gerais, que vivia por uns anos no Rio de Janeiro para estudar canto lírico com o tenor Paulo Fortes. Para incrementar o aparato, Dom Fla conseguiu fixar guizos e sinos no interior do tubo transparente, de uma ponta à outra. Nos espetáculos levava seu arsenal de instrumentos de percussão, e escolhia alguns momentos para dar um tapinha suave na caixa de madeira e a plateia podia ver seu rato de estimação cruzar o tubo esbarrando nos guizos e nos sinos que soavam magicamente.

Cartas e cartas trocadas entre aqueles dois amigos e um belo dia Dom Fla retorna ao Brasil, para o Rio de Janeiro, onde tinha um apartamento de herança de família e onde seu amigo Luiz Alberto me levou para conhecê-lo. Neste mesmo apartamento, numa das tardes em que nos reuníamos, o Luiz Alberto pediu que Dom Fla e eu sentássemos no sofá e ouvisse uma coisa. Luiz se pôs de pé em frente ao sofá e com seus quase dois metros de altura e dez ventanias na cabeleira, abriu os braços como uma cruz de mármore e, sem ler, começou a recitar a “Ode triunfal”, de Álvaro de Campos. Dom Fla mantinha seu semblante sereno enquanto piscava involuntariamente seus olhos azuis que boiavam brilhantes abaixo de seus cabelos grisalhos que tinham a forma dos negros da black music dos anos 70, embora tivesse a pele branca e rosada do sol de Ipanema. Quanto a mim, ouvia pela primeira vez aquela “Ode” e me senti dentro de um berço construído por Netuno para ser testado em seus mares.

Quando Luiz parou, Dom Fla espalhou no chão seus instrumentos de percussão: flautas de kamaiurás, apitos de curupira, chocalhos de pataxós, sementes de açaí, pandeiros da Angola, reco-reco da Estácio de Sá, djambê, barduka, colares e respirações, e eu grudado no sofá.

Aqueles dois estavam materializando aquelas cartas entre o Brasil e a França, como dois gigantes da originalidade artística.

Ali naquele apartamento eu recebi deles o meu batismo de músico. Luiz Alberto e Dom Fla eram autores de suas próprias vozes. Nas cartas que trocavam antes de Dom Fla retornar ao Brasil, ecoava a palavra “Metabolar”. Essa palavra foi o útero que abrigou músicos como Jayme Vignolli (cavaquinho), Eduardo Neves (sax e flauta), André Santos (ou André Araújo à época, violino), Xande (bateria), Maurício (bateria), Celestino (cenografia e figurino) e eu (Farlley Jorge, teclados), na trilha cavada por Dom Fla na percussão e Luiz Alberto na voz, textos e prolongamentos. Tocamos nos teatros e nas nossas almas; fomos entrevistados pelo Jô Soares e pelas nossas consciências; viajamos de avião e de tapete voador.

Conviver com eles como integrante do metabolar, fez com que eu descobrisse o quinto ponto cardeal.

Durante minha renascença musical, minha metamorfose antropofágica, meu grito às margens do Ipiranga, fui como um bebê à casa de Hermeto Pascoal, vi o trenzinho de Villa-Lobos estacionar dentro do meu quarto, naveguei no Mapa das Nuvens de Maria Rita, compus “Gênese”, “Caçada”, “O rito da primavera”, “Caminhada”. Bem dizer foi há vinte e cinco anos. De lá pra cá, durante muitas noites de conversa com o travesseiro eu toquei aquelas músicas em minhas lembranças. Vi Luiz Alberto subir as escadas laterais do palco, surgir e desaparecer com a luz acesa como quem mergulhasse nas teclas do piano e submergisse pelas cordas do violino. Vi Dom Fla batucando suas peles, seus ossos, seus balangandãs cósmicos e num piscar de olhos ele era uma fogueira acesa no palco enquanto Luiz Alberto voltava espalhando seus pós, suas cores e suas curas para ouvidos engessados. Maurício semeava com sua bateria uma nova agricultura de compassos. Eu tocava o meu teclado eletrônico como um candidato à república de Platão. Vi André Araújo ser guiado pelo seu violino por uma trilha cintilante que brilhava no encontro das águas no Amazonas. Vi Xande fazer sua bateria falar vários idiomas que a platéia traduzia em sorrisos polirrítmicos. O cavaquinho de Jayme Vignolli liberava faíscas com quatro bemóis nas brechas das cordilheiras sônicas. O sax de Eduardo Neves desenhava labirintos sonoros que fazia a imaginação chegar atrasada. As ideias de Celestino para cenários e indumentária fornecia o relêvo para aquela poligrafia artística se aventurar.

Muitas noites relembrei tantas performances do Metabolar que cheguei a sentir tristeza, como um idoso solitário que vira seu álbum de fotografias engolindo a seco sua viuvez.

E nesse vai-e-vem de noites particulares não imaginei que hoje ao acordar, antes de abrir a janela, antes do cheiro do café, eu recebesse uma mensagem de Luiz Alberto.

Farlley espero que esta te encontre bem. Nesta vez que fui ao Rio fui até a casa do Dom Fla e descobri que ele fez a passagem. Maria Rita tem detalhes. Quero ver se consigo para o final do ano reunir amigos e prestar uma homenagem. O céu está mais estrelado. Um forte abraço. Luiz Alberto.

Ao ler esta mensagem, me vi numa bolha de silêncio. Depois pensei qual terá sido o destino de seus instrumentos de percussão. Quem o viu pela última vez?

Durma em paz Flamarion, Dom Fla.

Maria Rita chega quinta-feira aqui em Madri. Enquanto a espero, vou escrever nas teclas do meu piano: “que honra Dom Fla (in memoriam) e Luiz Alberto ter sido convidado por vocês para integrar o Metabolar, para fazer um tipo de música que misturava futuro e fé”.

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PRÁTICA ARTÍSTICA

Farlley Derze, Thiais, France, 2012.

Farlley Derze, Thiais, France, 2012.

1985    Foi Diretor Cultural da Sociedade de Alunos da Escola de Especialistas de Aeronáutica (Guaratinguetá, SP).

1986    Pianista da Academia de Ballet Valéria Moreira, no Centro de Dança (Rio de Janeiro).

1986    Tecladista da banda de baile OS DELTAS.

1986    Gravou uma faixa no disco “Tributo a Ary Barroso”, a convite da Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro).

1987    Tocou na solenidade de inauguração do Espaço Cultural Sérgio Porto – RJ, presidida por Darcy Ribeiro.

1987    Tecladista da banda de baile PIQUE TOTAL.

1988    Tecladista da banda TURBA MULTA, de música instrumental autoral, com Samuel Lima (sax), Juninho (Bateria), Ramatis Moraes (Baixo).

1988    Tecladista da banda da cantora Claudinha Telles.

1988    Montou com o ator Guilherme Bozzeti o musical “DOIDO PELO PIANO”, viajando pelo Brasil durante quatro anos.

1989    Tecladista, arranjador e diretor musical do cantor Elymar Santos, até 1995.

1991    Compôs a trilha de abertura do Show ÓPERA ROCK, no CANECÃO, do guitarrista Robertinho de Recife.

1992    Esteve no JÔ SOARES ONZE E MEIA, com o grupo METABOLAR, do qual era integrante juntamente com Luiz Alberto de Filippo e Dom Fla, em entrevista que culminou com apresentação da música CAÇADA de sua autoria.

1995    Tecladista do grupo de samba RAZÃO BRASILEIRA, até 1997.

1998    Integrou, como pianista, o elenco do Musical DESGRAÇAS DE UMA CRIANÇA, de Martins Pena, dirigida por Wolf Maia e encenada por Cláudia Ohana, Eduardo Dusek, Hélio Ary, Marcelo Antony e Malú Vale.

1998    Pianista da Rio Jazz Orchestra, até 1999 (Rio de Janeiro).

1999    Tecladista da banda de Cláudio Lins, e Orquestra ARTFOLIA (Rio de Janeiro).

2000    Diretor musical e compositor da trilha do espetáculo O MUNDO NOVO DO TOPETÃO, produzido por Xuxa Meneguel, com direção geral de Eduardo Martini.

2000    Foi pianista suplente do musical DOLORES, a história de Dolores Duran, com direção musical de Tim Rescala.

2000-2002       Gravou três CDs: “Gênese” (2000), “Naquelas Noites de Natal” (2001) e “Acalanto” (2002).

2001-2002       Pianista da Brasília Popular Orquestra (Brasília).

2002    Ganhou o 1º lugar no Festival de Música do Gama, com sua música MEMÓRIAS, tocada ao piano com letra de José Roberto Gabriel e interpretação vocal de Janette Dornellas.

2002    Tecladista da Toccata Produções Artísticas, até 2014 (Brasília).

2004    Pianista brasileiro no 1o Festival Internacional de Jazz de Cabo Verde (África).

2004    Participou do lançamento em Cannes, Paris e Marselha, do livro “MÚSICA POPULAR BRASILEIRA”, editado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, acompanhando nos eventos a cantora Simone Guimarães.

2004    Participou do Festival de Jazz à Vienne, França. Turnê em Marselha e Paris.

2005    Pianista, representante brasileiro no Ano do Brasil na França (Paris).

2005    Compôs a Trilha Sonora para os documentários sobre o Timor Leste (de Ivan Canabrava) e a vida de Santos Dumont (de Pedro Jorge), e dos filmes “Jorge Buche” (de Cristiano Vieira) e “A Vingança da Bibliotecária”, (de Santiago Delape), este último, um curta concorrente no Festival de Cinema de Brasília que ocorreu entre 22 e 25 de novembro de 2005.

2006-2012       Pianista do Programa de Radio “Um piano ao cair da tarde”,FM 89,9 Mz (Brasília).

2010    Organizador de uma banda com músicos do Uruguai, México, Cuba e Grécia para levar a música brasileira à Ilha de Creta (Grécia).

2012    Participação como pianista no 4º Festival de Bossa-Nova, em Orly, (França).

2015    Participação como convidado do Trio LSP na primeira edição do Rendez-vouz Jazzonotes, em Thiais, França, 21 Mars 2015 .

2015    Concerto Paisagens da Música Brasileira, em Munique, Alemanha, 19 Jun 2015. Convidada especial: a cantora e compositora brasileira Maria Rita Stumpf.

Entre 1988 e 2015 teve a honra de como pianista e tecladista participar de shows e gravações de CD com os seguintes artistas: Jorge Benjor, Eduardo Dusek, Cláudio Lins, Lucinha Lins, Antenor Bogéa (Rio de Janeiro, Brasília, São Luís, Salvador, Mar Chipre, França, Grécia, Cabo Verde), Sandra Dualibe, Janette Dornellas, Jorge Aragão, Robertinho de Recife, Zeca do Trombone, Dudu Nobre, Cláudia Telles, Golden Boys, Danilo Caymmi, Elza Soares, Luís Alberto de Filippo, Dom Fla, Juliano Torres (argentino no RJ), Sandra Bonilla (chilena no RJ), Debbie Wicks (estadunidense no RJ), Elymar Santos (turnê nacional), Claudete Ferraz, Lívia Diniz, Razão Brasileira (turnê nacional, Paraguai, Japão), Samuel Lima, Murilo Brito, Cristine Soares, Coral Arcanjos da Força Aérea, Canuto, Zila Siquet, Demétrio Bogéa, Jean-Phillipe Crespin (França, Grécia), Sylvan Sourdeix (França), Ramatis Moraes, Robson Rodrigues, Cadu (República do Chipre), Simone Guimarães (Cannes, Paris, Marselha), Maitê Tchu, Jards Macalé, Nando Gabrielli, Vanessa Barum, Falcão, Mièle, Maria Rita Stumpf (Rio de Janeiro, Curitiba, Alemanha).