Improvisação idiomática
 
O músico deve pensar que na hora do improviso ele é um arquiteto de melodias. Assim como todo arquiteto se utiliza dos conceitos de linha reta, curva, etc., o músico deve se utilizar dos conceitos que aprendeu em sua formação, tais como melodia diatônica, melodia pentatônica, tom e semitom, cromatismo, quiálteras, etc. Com linhas retas ou curvas os arquitetos fazem diferentes desenhos, e o músico deve improvisar como se fosse um compositor, ou seja, escolhe e decide que conceitos farão parte da melodia, da harmonia e do ritmo que o ouvinte conhecerá no momento único e particular da improvisação.
 
Dica do guitarrista Joe Pass dada aos seus alunos: “nunca toque uma nota que você não possa cantar, isto é, nunca deixe seu dedo tocar sozinho). Ou seja, estude escalas, arpejos, fraseados, sempre cantando. As notas vão se internalizando e na hora de tocar, o som acontecerá de dentro pra fora. Ao estudar qualquer escala cantando, antes de ir para outra escala construa fraseados com o seu canto e execute junto. Explore a internalização do som com a sincronia entre sua voz e seus dedos. Pense no fraseado como uma composição curta e momentânea. Experimente em várias escalas, por exemplo, 1,2,3,#4,5,6,b7, cantando e tocando algumas das notas.
 
Quantas escalas existem?
O número de escalas tende ao infinito. Se a escala for uma sequência de notas que vai e volta de meio em meio tom, temos uma escala cromática. Imagine uma escala que sobe de terça menor em terça menor e volta de terça maior em terça maior. Imagine a quantidade de escalas que podem ser produzidas num jogo intervalar ascendente e descendente.
 
A depender dos intervalos entre as notas podemos classificar as escalas da música ocidental em:
 
– escalas simétricas
– escalas assimétricas
 
Escalas simétricas
 
– escala diminuta
– escala de tons inteiros
– escala cromática 
 
A estrutura da escala diminuta é:
tom,semitom,tom,semitom,tom,semitom,tom (1,2,b3,4,b5,b6,bb7,7)
 
A estrutura da escala de tons inteiros é:
tom,tom,tom,tom,tom,tom (1,2,3,#4,#5,b7)
 
A estrutura da escala cromática é:
semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom,semitom
 
(1,#1,2,#2,3,4,#4,5,#5,6,#6,7,8)
 
Escalas assimétricas
 
– diatônica (maior, menor, maior-menor)
……menor melódica
……menor harmônica
– pentatônica (maior e menor)
– blues menor
– blues maior
– modais (modos gregos)
 
A escala assimétrica mais conhecida é a diatônica (através do tom), ou seja, são escalas que “dão o tom”. Existem as diatônicas maiores e menores. As diatônicas menores são de três tipos: natural (1,2,b3,4,5,b6,b7), harmônica (1,2,b3,4,5,b6,7) e melódica (1,2,b3,4,5,6,7).
 
Escala pentatônica maior
É a diatônica maior sem o 4° e sem o 7° graus. (1,2,3,5,6)
 
Escala pentatônica menor
É a diatônica menor harmônica sem o 2° e sem o 6° graus. (1,b3,4,5,b7). É arpejo de um acorde menor com sétima (Cm7) incluindo-se a quarta justa.
 
Escala de blues menor
É uma pentatônica menor mais a quarta aumentada.
(1,b3,4,#4,5,b7)
 
Escala de blues maior
É uma pentatônica maior mais a segunda aumentada (é a nona aumentada)
(1,2,#2,3,5,6)
 
Modais (Modos gregos)
São sete escalas geradas pelas notas naturais. Isto é, antes do advento da tonalidade. Se você pensar na estrutura da escala diatônica de do maior, as sete escalas ficam assim:
Do a Do: do jônico
(1,2,3,4,5,6,7) (do,re,mi,fa,sol,la,si)
Re a Re: re dórico
(1,2,b3,4,5,6,b7) (re,mi,fa♮,sol,la,si,do♮)
Mi a Mi: mi frígio
(1,b2,b3,4,5,b6,b7) (mi,fa♮,sol♮,la,si,do♮,re♮)
Fa a Fa: fa lídio
(1,2,3,#4,5,6,7) (fa,sol,la,si,do,re,mi)
Sol a Sol: sol mixolídio
(1,2,3,4,5,6,b7) (sol,la,si,do,re,mi,fa♮)
La a La: la eólio
(1,2,b3,4,5,b6,b7) (la,si,do♮,re,mi,fa♮,sol♮)
Si a Si: si lócrio
(1,b2,b3,4,b5,b6,b7) (si,do♮,re♮,mi,fa♮,sol♮,la♮)
 
Lembra da escala menor melódica? (1,2,b3,4,5,6,7).
Veja sua versão no modo dórico com sexta maior, que equivale ao frígio com a nona menor (1,b2,b3,4,5,6,b7).
Veja a escala no modo lídio com a quinta aumentada (1,2,3,#4,#5,6,7).
E no modo lídio com a sétima (1,2,3,#4,5,6,b7), que caracteriza a música nordestina.
E no modo mixolídio com a sexta menor (1,2,3,4,5,b6,b7)
E o lócrio com nona (1,2,b3,4,b5,b6,b7)
E a famosa escala alterada, ou super lócrio (1,b2,#2,3,b5,#5,b7).
Esses foram os sete modos da escala menor melódica.
 
Podemos fazer o mesmo em cada grau da escala menor harmônica.
Lócrio com sexta (1,b2,b3,4,b5,6,b7)
Jônico com quinta aumentada (1,2,3,4,#5,6,7)
Dórico com quarta aumentada (1,2,b3,#4,5,6,b7)
Frígio com terça maior (1,b2,3,4,5,b6,b7)
Lídio com nona aumentada (1,#2,3,#4,5,6,7) feita a partir do VI grau da harmônica. São duas tríades, como se fosse a soma de C+B.
 
Dica para estudar escalas 
 
Após realizar uma escala e conseguir executá-la sem falhas, crie “patterns” (moldes), e exercite a digitação através das oitavas. Por exemplo, você está estudando o modo lídio e cria o pattern 1,2,#4,6. Daí faz 2,#4,6,1; #4,6,1,2; 6,1,2,#4; 1,2,#4,6. É a hora de associar o trabalho mecânico ao criativo. Explore sua criatividade no universo das escalas, crie seus patterns para usar numa oportunidade de improvisação.

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