O músico durante sua formação tem muitas preocupações para atingir bons resultados técnicos e artísticos: o estudo da teoria, o estudo e a repetição de escalas e exercícios típicos para o seu instrumento, a formação de um repertório, tocar sozinho, tocar em grupo, e encontrar as melhores oportunidades profissionais, dentre outras necessidades com as quais vai lidar durante seu desenvolvimento. Este post eu preparei para aqueles músicos interessados numa metodologia de estudar música.
 
Se fosse possível, eu adoraria saber como Chopin, Bach, Villa-Lobos, Oscar Peterson, Bill Evans estudavam, isto é, como era a rotina de estudos de cada um, o método que usavam para se desenvolver como instrumentista e compositor.
 
Eu vou disponibilizar aqui o meu método de estudo, composto de sete propostas para você testar.
 
1 – Referência afetiva
 
Um músico costuma ser fã de muitos músicos, compositores e instrumentistas. Eu optei por conhecer e estudar o máximo de composições de um mesmo compositor. Vi que seria uma oportunidade de compreender os padrões melódicos, harmônicos e rítmicos no conjunto da obra daquele compositor. Eis os artistas cujas obras estudo sistematicamente: Chick Corea, Chopin, Debussy. Busco manter na minha rotina a manutenção de um repertório com músicas destes três compositores. Esta referência afetiva começou quando ouvi pela primeira vez “La fiesta” (Chick Corea), “Prelúdio Opus 28 n. 4” (Chopin) e “Clair de lune” (Debussy). Foi uma espécie de “amor à primeira vista”.  Assim, passei a estudar outras composições deles.
 
2 – Desafio racional
 
Escolho uma música que eu já toque com desenvoltura. A tarefa consiste em tocá-la noutra tonalidade com a execução perfeita da melodia e dos acordes sem falhas rítmicas, ao final de no máximo trinta minutos. O estudo fica cada vez mais rico à medida que se escolhem novas tonalidades para tocar a música.
 
3 – Reflexo auditivo
 
Pelo menos uma vez por mês vale à pena tocar, ao mesmo tempo em que se escuta, uma música que esteja na moda e são veiculadas nas rádios, na TV, no YouTube. Isso não tem a ver com o gosto musical. Em termos de estudo é uma atividade que tem muito valor para apurar o reflexo auditivo, além de nos preparar para a realidade profissional.
 
4 – Leitura à primeira vista
 
Uma vez por semana escolho uma partitura para treinar a leitura à primeira vista. Geralmente escolho um chôro (Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Waldyr Azevedo, Patápio Silva, Zequinha de Abreu, Dilermando Reis, João Pernambuco). O chôro tem uma “arquitetura” consolidada:
 
-forma A-B-A-C-A
-modulações 
-síncopes
 
Além disso é comum ter semicolcheias que funciona como um estímulo para aprimorar a leitura à primeira vista.
 
5 – Repertório obrigatório 
 
Faz parte do estudo ter embaixo do dedo algumas músicas. Não falo aqui das “músicas de sucesso” do momento, como a bela “Love yourself”, cantada por Justin Bieber. Isso fica resolvido com a prática do item 3 do meu método de estudo. Sobre “repertório obrigatório”, refiro-me às músicas populares do repertório nacional e jazzístico que sobrevivem ao modismo. Por exemplo, é inconcebível um músico profissional não saber tocar o Hino Nacional, Carinhoso, Garota de Ipanema, All the things you are (Hammerstein/Kern), Stella by starlight (Victor Young), A night in Tunisia (Dizzy Gillespie), Spain (Chick Corea), All of me (Jimone/Marks), Cantaloop Island (Herbie Hancock), Satin doll (Duke Ellington), etc. Isto é, aquelas músicas que numa Jam Session todo mundo sabe tocar. O ideal é saber solar a música, além de conhecer a harmonia.
 
6 – Refinamento da técnica
 
Cada instrumento requer dedicação ao estudo e refinamento da técnica. Significa a adoção de livros destinados a exercícios de repetição de escalas, arpejos e composições específicas para a independência das mãos e dos dedos. No meu caso que sou pianista, os exercícios para piano que adotei a partir da orientação do conservatório onde estudei foram os dos seguintes autores: Hanon, Czern, Cramer e Beringer.
 
7 – Modelagens
 
Trata-se do método que desenvolvi para a criação de minhas composições. As composições baseadas em “modelagens” fazem parte de meu próximo álbum chamado “Music and emotion”. Comecei a desenvolver este método de composição por “modelagens” nas horas vagas de estudo. Mais tarde, percebi o valor das modelagens como um tipo de estudo à parte, e testei o método com três alunos tanto para o desenvolvimento de novas harmonias como para o tratamento melódico empregado em novas composições e improvisação.
 
Eu moro em Brasília, e mantenho-me à disposição para trocar ideias sobre como estudar música.
Farlley Derze
info@farlleyderze.com

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